A VEZ DO BRASIL capacitou toda a tecnologia empregada no projeto SEED, pois o início do projeto do carro foi em 2001, o powertrain elétrico foi totalmente desenvolvido no Brasil  e hoje apresenta vantagens competitivas sobre os produtos similares importados, principalmente sua robustez e baixo custo, tendo gerado diversas patentes internacionais nesses anos todos, e hoje, o projeto não possui um item sequer importado, motivo de grande orgulho acredito, para qualquer Brasileiro.

Na VEZ DO BRASIL não estamos desenvolvendo veículos elétricos, mas sim veículos superleves. A tecnologia de veículos elétricos – VE, somente irá deslanchar no mercado quando os carros tiverem um preço acessível e isto só ocorrerá quando a indústria conseguir utilizar baterias que não sejam de íon de Lítio. Nos dez anos de P&D capacitamos uma nova tecnologia que chamamos internamente de Bateria de Fluxo, que endereça este problema. Agora, ela será adequadamente desenvolvida em conjunto com a Johnson Controls de Sorocaba, que é a maior empresa de baterias do mundo possuindo 36% do mercado mundial e 78% do mercado Brasileiro, onde atuam com a marca Heliar. O mesmo acontece com a nossa tecnologia de Motor Diferencial, agora sendo desenvolvida pela Hércules Motores do grupo Muller de SC, que já ultrapassou a marca de 2 milhões de motores elétricos fabricados no Brasil. Concluindo, o modelo tecnológico dos VEs, por um lado se aproxima mais à tecnologia aeronáutica (peso) e, por outro lado à tecnologia de Informática, que à tecnologia automobilística convencional. Competências chave para que esta indústria possa desenvolver-se no Brasil, como está ocorrendo neste exato momento nos outros países.

Em nosso projeto temos parceria também com o CITS – Centro Internacional de Tecnologia de Software do Paraná no desenvolvimento de software embarcado mid e high-end, a UFSC na parte de engenharia automotiva e mecatrônica, a UFPR e o LACTEC na química da Bateria de Fluxo e mecânica do Motor Diferencial e a fundação CERTI para o hardware embarcado. Os demais são multinacionais gigantes do mercado automotivo na categoria “after-marketing”, que dão sustentação à nossa pequena equipe interna de engenharia e o nosso “Supply-Chain”.

Atualmente, o principal desafio tecnológico dos carros elétricos/híbridos está relacionado às baterias, as quais são determinantes da autonomia do veículo. As baterias representam um importante item de custo, algo em torno de 40 % do custo total do veículo elétrico, quando utilizada a tecnologia íon de Lítio.

A pesquisa neste tema está concentrada no desenvolvimento de baterias com novos produtos químicos e avaliação sobre seu uso em diferentes circunstâncias. Dentre os principais tipos de baterias aplicados a veículos elétricos tem-se: baterias de sódio, chumbo-ácido e íons de lítio. Há muito espaço para a evolução tecnológica das baterias, pois existem muitas alternativas em desenvolvimento e porque a pesquisa só tomou grande impulso nos últimos 20 ou 30 anos com a necessidade criada pelos eletrônicos portáteis (brinquedos, celular, notebooks, etc.). Os principais determinantes do custo das baterias residem no elevado valor dos materiais e da produção quando realizada em pequenas escalas. Observa-se que uma planta com capacidade de produção de 10.000 baterias chega a ter um custo por bateria de 60 a 80% acima do custo de uma planta para 100.000 unidades. O pequeno volume de produção atual dos veículos elétricos limita, assim, o crescimento da produção das baterias. Os principais tipos de baterias hoje utilizadas em veículos elétricos são as chumbo-ácido, as de sódio e as de íon de lítio. O projeto de bateria em geral exige um trade-off entre duas categorias fundamentais: potência e densidade energética (ou seja, a sua capacidade de reter mais energia num volume reduzido). Em veículos elétricos, a potência tem relação à velocidade com a qual o veículo acelera e a segunda (densidade) com sua autonomia. Nesse ponto surge o desenvolvimento das baterias de íon de Lítio, que fornecem desempenho superior em ambas, se comparadas às demais tecnologias utilizadas.

A utilização das baterias de Lítio, por sua vez, traz o problema da escassez deste elemento no mundo. Segundo o U.S. Geological Survey, o Chile foi o maior produtor em 2009 seguido por Argentina, China e Estados Unidos. Os EUA são o maior importador de minerais e compostos de Lítio e o maior produtor de materiais de Lítio com valor agregado, cujos maiores recursos conhecidos encontram-se na Bolívia e Chile, fato extremamente preocupante. O Lítio utilizado na bateria pode ser reciclado, porém a custos não permissíveis.

Atualmente não existem fabricantes de baterias de íon de Lítio no Brasil, mas já temos ampla utilização e produção das baterias chumbo-ácido para veículos elétricos industriais, como empilhadeiras, paleteiras e rebocadeiras, pois este tipo de bateria possui ótima relação custo x benefício nestes casos.

Uma estimativa do custo dos tipos de bateria indica que atualmente as de chumbo-ácido têm custo mais baixo e as de íon de Lítio custo cerca de dez vezes superior, explicado pela densidade energética das baterias. Enquanto que a gasolina, por exemplo, possui densidade energética de 12.200 Wh/kg, as baterias de íon de lítio estão em torno de 170 Wh/kg. No Quadro 2 apresentamos uma comparação entre os principais tipos de baterias da atualidade.

A fabricação de baterias é dominada, atualmente, por companhias asiáticas, líderes tanto em P&D, quanto no estabelecimento de parcerias, que são fundamentais para a comercialização dos produtos. A pesquisa e fabricação de baterias atraem atualmente bilhões de dólares em investimentos. Estimativas colocam o mercado de veículos elétricos na marca de US$ 100 bilhões somente nos EUA, já nesta década. Atualmente as baterias de íons de Lítio são a melhor alternativa para os veículos elétricos que não tenham compromisso com o custo, o que representa um forte obstáculo para a adoção do carro elétrico no Brasil, pois não há qualquer produção relevante desse tipo de baterias e o registro de pesquisas envolvendo essa tecnologia é bastante reduzido.

Espera-se que rupturas tecnológicas possam contribuir para a redução do custo e peso das baterias, porém ainda não está claro que tipo de ruptura pode se tornar comercialmente viável. Por outro lado, mesmo que elas ocorram dentro da próxima década, não terão muito impacto nas emissões de gases de efeito estufa antes de 2030, pois serão necessários alguns anos para que um número significativo de veículos incorpore as novas tecnologias na estrada.

A baterias ECOPOWER da VEZ DO BRASIL podem ser 100% recicladas, o que evita que as baterias velhas se transformem num problema de descarte de lixo.

O sucesso do veículo elétrico exige a superação de obstáculos, como logística, infraestrutura e resistência dos consumidores. A superação desses entraves na difusão de veículos movidos a etanol no Brasil fundamenta a assunção de perspectivas otimistas sobre o futuro da indústria automotiva elétrica local. Perpassando todo o processo, conforme apontado nos parágrafos anteriores, a introdução de veículos elétricos será responsável por um profundo rearranjo na indústria automotiva, promovendo transformações na indústria. O setor precisará acompanhar esse movimento, a fim de manter sua posição como um dos principais produtores mundiais de veículos. Na presença de diversas oportunidades para ampliar o conteúdo tecnológico da produção local, as montadoras nacionais de veículos têm função decisiva na inserção do Brasil neste novo paradigma.

O ritmo de difusão do veículo elétrico, acelerado recentemente por preocupações com segurança energética e meio ambiente, dependerá, além de fatores técnicos, como o desenvolvimento tecnológico das baterias, de políticas públicas de incentivo, já adotadas em diversos países. O BNDES assume, portanto, papel central na articulação dos diversos atores e no fomento a iniciativas visando à geração e a difusão das novas tecnologias. A identificação de novas possibilidades, com consequentes ações de fomento, será essencial. Os esforços governamentais devem almejar que o Brasil, mais do que um simples produtor, consolide-se como um polo desenvolvedor e exportador de tecnologia, como foi alcançado no caso dos veículos a etanol.

* Estudo no. 368, Estratégia de Implantação do Carro Elétrico no Brasil versão preliminar apresentado no XXII Fórum Nacional 2009 Na Crise, Brasil, Desenvolvimento de uma Sociedade Ativa e Moderna (Sociedade do Diálogo, da Tolerância, da Negociação), “Programa Nacional de Direitos Humanos”.

Muito se tem falado sobre os VEs, mas pouco se tem dito sobre a verdade por detrás dos bastidores dessa poderosa nova indústria emergente. A grande questão gira em torno da cadeia produtiva desses novos veículos, pois em nada ajuda o nosso Planeta e seus emergentes e preocupantes problemas climáticos e ambientais, o desenvolvimento de produtos que ainda poluem o meio ambiente, como o caso dos veículos movidos a combustão e híbridos, ou até mesmo o desenvolvimento de produtos de emissão zero de poluentes atmosféricos, mas que em seu rastro produtivo deixa uma cadeia enorme de resíduos sólidos e volumosos dispêndios energéticos na transformação do minério de ferro até a fabricação final dos automóveis, principais responsáveis pelo aquecimento global que ameaça a todos nós.